Quando o storytelling vira uma história mal contada.

Manipular a verdade ou se afastar dos valores da marca pode trazer prejuízos à credibilidade.

No final do ano passado, a Revista Exame trouxe a público o caso de duas empresas que se excederam na glamourização de suas histórias:  a marca de sorvetes artesanais Diletto e a fábrica de sucos Do Bem. A matéria com o sugestivo título “Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira.” expôs a incoerência das narrativas que geraram insatisfação nos consumidores e notificações do CONAR.

A marca de sorvetes artesanais Diletto, por exemplo, teria sido criada por um imigrante italiano que veio ao Brasil fugido da segunda guerra mundial. Após comprovação de que o personagem nunca existiu, a empresa foi notificada pelo CONAR que recomendou a mudança na sua comunicação em embalagens e peças publicitárias, alertando que a história contada é fictícia.

Já a empresa de sucos Do Bem dizia que suas laranjas eram cultivadas e colhidas na fazenda de um senhor chamado Francisco no interior de São Paulo. Mas quem fornece as laranjas para a Do Bem são empresas comuns como a Brasil Citrus, que abastece diversas outras marcas.

Do bem

Existem exemplos também nos Estados Unidos, onde destilarias de uísque que se apresentavam como artesanais, divulgavam histórias fantasiosas de como suas bebidas eram produzidas, envelhecidas e embaladas, quando na verdade revendiam produtos comprados de um grande fabricante.

Além dos prejuízos de imagem e de venda dos casos acima, deve-se considerar a decepção que eles geram em uma parcela significativa so seu público. Posso falar por mim mesmo, já que a caixinha divertida com uma história diferenciada dos sucos Do Bem me cativou , mas no final acabou revelando um gosto azedo.

Não vejo necessidade de se colocar em posição de desvantagem na comparação com quem trabalha com conteúdo verdadeiro. Todas as empresas tem na sua trajetória elementos que podem gerar excelentes narrativas e garantir  destaque com o brilho de sua própria história. Tudo é uma questão de saber jogar a luz nos pontos que podem emocionar e gerar empatia com o consumidor.

Afinal, como já disse David Ogilvy, “Conte a verdade, mas faça com que ela seja fascinante”.

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